16/09/2014

♥ O nosso livro


O nosso livro 

A A.G.
 Livro do meu amor, do teu amor, 
Livro do nosso amor, do nosso peito... 
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
 Como se fossem pétalas em flor.

 Olha que eu outro já não sei compor
 Mais santamente triste, mais perfeito.
 Não esfolhes os lírios com que é feito 
Que outros não tenho em meu jardim de dor! 

 Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu! 
Num sorriso tu dizes e digo eu: 
Versos só nossos mas que lindos sois! 
 Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente 
Dirá, fechando o livro docemente:
 «Versos só nossos, só de nós os dois!...» 

Florbela Espanca, 
Livro de Soror Saudade (1923

♥♥
Amara Mourige

04/09/2014

Poema 'ELA'

Poema 'ELA' (Machado de Assis) 


ELA

Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor

Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em doce poesia
Ao meu terno coração!

Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.

Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um -sim-
P’ra alívio do coração!
Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh’alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
“Dá-lhe um suspiro de amor!”

Primeiro poema publicado por Machado de Assis aos 16 anos de idade.
Em 12 de janeiro de 1855.

ASSIS, Machado de, 1839 – 1908
O Almada & outros poemas / Machado de Assis – São Paulo
Globo 1997 – (Obras completas de Machado de Assis)


Amara Mourige

24/08/2014

A Carolina


ÚLTIMO SONETO DE AMOR DE MACHADO DE ASSIS
A Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa separados.

Que eu, se tenho nos olhos mal feridos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

Quando a esposa de Machado de Assis morreu, o escritor, muito triste, escreveu um poema, um verdadeiro réquiem, no qual se despede de Carolina. O soneto, intitulado "A Carolina", faz parte do livro "Relíquias de Casa Velha", publicado em 1906, e foi o último escrito pelo autor. O também escritor Manuel Bandeira destacou este poema como uma das peças mais comoventes da literatura brasileira, de acordo com o "Almanaque Machado de Assis".
  
Soneto maravilhoso 
Amara Mourige

14/08/2014

♥ O verbo amar ♥


O verbo amar

Te amei: era de longe que te olhava
e de longe me olhavas vagamente...
Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente,
que a alma da gente faz escrava.

Te amava: como inquieto adolescente,
tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava
adivinhando esse mistério ardente
do mundo, em cada beijo que te dava.

Te amo: e ao te amar assim vou conjugando
os tempos todos desse amor, enquanto
segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando...

Te amar: é mais que em verbo é a minha lei,
e é por ti que o repito no meu canto:
te amei, te amava, te amo e te amarei!

(Poema de JG de Araujo Jorge
do livro -Bazar de Ritmos- 1935)

♥♥
Amara Mourige   

08/08/2014

♥ A Dor de Amar ♥

A Dor de Amar

Já foram cantadas em verso e prosa
As incoerências desse tal "amor"...
É um amargo-doce, dor deliciosa,
É tristeza alegre, é frio no calor.

E os sentimentos daquele que ama
Com fervor intenso, com obsessão,
Conforme a ciência já hoje proclama,
São fontes de stress, de flagelação.

Mas como viver sem curtir no peito
Esse stress vibrante e o sofrer de amar,
Delícias de ter um cúmplice perfeito,
Dores e prazeres de compartilhar?

E como ficar nas noites sombrias
Sem sentir na alma a amorosa brisa,
De um abraço amigo pleno de magias,
E do afago amante que nos realiza?

Se amar é sofrer... stress e flagelo...
Hão de preferir nossos corações
O fascínio eterno de um doce libelo
A um destino insosso, pobre de emoções. 

Oriza Martins

Amara Mourige

21/07/2014

♥ Quero falar-te do amor♥


QUERO FALAR-TE DO AMOR

Quero falar-te do amor
Do amor não interesseiro
Dum belo amor verdadeiro
Que nos prende por inteiro
Que não tem forma nem cor

Quero falar-te do amor
Do sentimento profundo
Que une os seres neste mundo
Surge às vezes … “vagabundo” 
É sempre arrebatador!

Quero falar-te do amor
E … seja lá pelo que for
É cantado … em poesia …
Quero falar-te do amor
Desde o nascer … ao sol-pôr
Mas falar-te … em cada dia!
Publicada por
Maria Zélia Rodrigues Gomes
Amara Mourige