04/05/2012

SÚPLICA-Olha pra mim, amor, olha pra mim;


Súplica

Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.

O meu colo é arrninho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!

Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d`astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!

Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente…
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim etemamente! …

Vem para mim,amor…Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!…
 { PoemasTrocando Olhares }
Amara Mourige

27/04/2012

♥ Ama-me por amor somente.♥


Ama-me por amor somente. Não digas: "Amo-a pelo seu olhar, o seu sorriso, o modo de falar honesto e brando. Amo-a porque se sente minh'alma em constante comunhão com a sua"! Porque pode mudar isso tudo, em si mesmo, ao perpassar do tempo, ou para ti unicamente. Nem me ames pelo pranto que a bondade de tuas mãos enxuga, pois se em mim secar, por teu conforto, esta vontade de chorar, teu amor pode ter fim! Ama-me por amor do amor, e assim me hás de querer por toda eternidade... 

...De Maria Tereza de Calcutá...
Amara Mourige

22/04/2012

♥ Não me cortes em fatias♥



Amor é síntese
é uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
e eu serei o perfeito amor."

[Mario Quintana]
Amara Mourige

17/04/2012

♥ O AMOR DORME NO PEITO DO POETA ♥


Tu nunca entenderás o quanto te quero
porque dormes em mim e estás adormecido.
Eu te oculto chorando, perseguido,
por uma voz de penetrante aço.

Norma que agita igual carne e luzeiro
traspassa já meu peito dolorido
e as turvas palavras têm mordido
as asas de teu espírito severo.

Grupo de gente salta nos jardins
esperando teu corpo e minha agonia
em cavalos de luz e verdes crinas.

Mas continua dormindo, vida minha.
Ouve meu sangue roto nos violinos!
Vê que nos espreitam ainda.

Federico García Lorca ( Fuente Vaqueros,  5 de julho de 1898 – Granada, 19 de agosto de 1936) dramaturgo e poeta espanhol, também lembrado como pintor, pianista e compositor.
Federico García  Lorca
Amara Mourige

13/04/2012

Nunca fui como todos

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só... 

Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894Matosinhos, 8 de Dezembro de 1930), batizada como Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo.

Amara Mourige