Mostrando postagens com marcador Luiz Vaz de Camões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Vaz de Camões. Mostrar todas as postagens

12/10/2016

Olhai de que esperanças me mantenho!


Busque Amor novas artes, novo engenho, 
para matar me, e novas esquivanças; 
que não pode tirar me as esperanças, 
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho! 
Vede que perigosas seguranças! 
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde 
Amor um mal, que mata e não se vê.
Que dias há que n'alma me tem posto 
um não sei quê, que nasce não sei onde, 
vem não sei como, e dói não sei porquê.


Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"


 Amara Mourige